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Antigos Paços do Concelho
de Viana do Castelo

Exposição

Depois do Fim


Exposição coletiva de artes plásticas

Curador | Filipe Rodrigues

depois do fim
Federico Fellini na rodagem de Satyricon

No contexto dos ENCONTROS / 26.º Festival de Cinema de Viana, esta exposição estabelece um diálogo visual entre cinema e artes plásticas a partir do filme O Fim de Agosto no Hotel Ozone, de Jan Schmidt, realizado em 1966 a partir de um conto de Pavel Juráček. A obra inscreve-se na atmosfera estética e crítica da Nova Onda checoslovaca e apresenta um mundo devastado por uma catástrofe nuclear, reduzido a silêncio, ruína e sobrevivência elementar.

A exposição parte dessa paisagem desolada como metáfora da falência civilizacional e da fragilidade da memória humana. Nove jovens mulheres atravessam um território árido sob a liderança de uma figura mais velha, guardiã de uma memória que as outras não possuem. Procuram um homem que assegure a continuidade da espécie, mas encontram apenas vestígios de um passado irrecuperável.

O hotel em ruínas, a igreja destruída, a vaca domesticada e o gramofone com um único disco assumem a condição de símbolos de um mundo extinto que resiste apenas como fragmento.

No espaço expositivo, a pintura instalação, com proveniência nas imagens pré-existentes do filme, da simbologia profunda que marca a existência humana, entre sobrevivência e esquecimento, criam lavos de pensamentos visuais. A ruína surge como forma plástica e como conceito.

O corpo feminino assume a dimensão de arquivo involuntário e de promessa adiada.

O objeto preservado transforma-se em relíquia ambígua, oscilando entre memória afetiva e peso insuportável do passado. A contenção formal e a economia de meios ecoam o minimalismo do filme, onde a palavra se reduz à função prática e a emoção se manifesta de modo contido e rarefeito.

A dimensão anti-guerra atravessa toda a proposta. A ameaça nuclear que estrutura a narrativa não pertence apenas ao passado histórico da Guerra Fria; mantém-se como possibilidade latente no presente. A exposição propõe uma reflexão sobre essa permanência e sobre a vulnerabilidade das narrativas de progresso que sustentaram a modernidade. Este projeto não pretende ilustrar o filme, mas estabelecer com ele um campo de ressonância visual e critico.

O cinema oferece um imaginário de fim e de silêncio pré-existente para as artes plásticas responderem com matéria, gesto e presença do pensamento visual. Entre ambos constrói-se um espaço para sonhar onde a arte surge como forma de consciência crítica e como tentativa de inscrição simbólica após a catástrofe.

Filipe Rodrigues


Artistas
convidados

Acácio de Carvalho, Cláudia Rocha, Evelina Oliveira, Filipe José, Franchini, Frederico Dinis, Hélder de Carvalho, Humberto Nelson, Inês Amorim, Isabel Mourão Alves, José Augusto Castro, Lavarinhas, Luís Paulo Martins, João Gigante, Júlio Cunha, Marco Costa, Margarida Santos, Maria Dulce Barata Feyo, Maria João Paulo, Marta de Aguiar, Olga Alves, Patrícia Oliveira, Raquel Rato, Rixa, Susana Bravo, Xavier


Inauguração
da exposição

04 de maio às 16:00


Calendário

Exposição patente de 04 a 31 de maio 2026


Local

Antigos Paços do Concelho de Viana do Castelo
Praça da República


Horário

segundas-feira das 10h00 às 17h00
de terça a sexta-feira das 10h00 às 18h00
fins de semana das 10h00 às 13h00 e das 15h00 às 18h00

Curador


filipe rodrigues

Filipe Rodrigues

Natural de Mafamude, Vila Nova de Gaia, 1978. Doutorado em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Mestre em Artes Visuais pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Licenciatura em Artes Plásticas - Pintura pela faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Professor Adjunto Convidado no Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Autor do projeto e Codiretor Artístico de Linha de Água - Bienal de Arte Contemporânea de Trás os Montes, 2022. Participou desde 1995 em mais de 400 Exposições Coletivas, Eventos e Bienais de Arte em Portugal, Espanha, França, Brasil, Grécia, Canadá, Estados Unidos da América e Japão. Realizou 32 Exposições Individuais em Portugal e Espanha. Recebeu 28 Prémios e distinções em Artes Plásticas em Portugal. Realiza curadorias desde 2005 em Portugal e Espanha, recentes: 2023, Projeto Circular, Vila Real, Bragança e Porto; 2022, curadoria sobre o país convidado o Japão, “Plenitude e Vazio” na XXII Bienal Internacional de Arte de Cerveira; 2022, Linha de Água - Bienal de Arte Contemporânea de Trás os Montes. Representado nas seguintes coleções públicas (seleção): Eixo-Atlântico, Vigo. Espanha; CaixaNova, Vigo, Espanha; Ayuntamiento de Redondela, Espanha; Museu da Fundação Bienal de Cerveira, Portugal; Museu do Ferro, Torre de Moncorvo, Portugal; Ohtawara City Institute for Art Cultural-Studies, Japão.

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